
Primeira psicanalista brasileira negra
Virginia Bicudo – Psicanalista
“Vejam bem o que fiz: eu fui buscar defesas científicas para o íntimo, o psíquico, para conciliar a pessoa de dentro com a de fora. Fui procurar na sociologia a explicação para questões de status social. E na psicanálise, proteção para a expectativa de rejeição. Essa é a minha história.” Virgínia Bicudo
Virginia Leone Bicudo escreveu uma tese de doutorado em 1945 que virou livro em 2010 com o título: Atitudes raciais de negros e mulatos em São Paulo. Além disso, ela participou do núcleo de estudos investigativos formado pela ONG para interpretar a ideia do mito da democracia racial (que se considerava existente no Brasil pós-escravidão).
Sobre sua experiência de vida, Bicudo encontra motivações para o desenvolvimento da referida obra. Ela conta: “Desde criança sentia o preconceito da cor. (…) estudar sociologia serve para me proteger do preconceito, que se forma no nível sociocultural ”(Bicudo 1994).
Formou-se bacharel em Sociologia e Politica em 1938 e, seis anos depois logrou seu título de mestre com a tese que virou o livro referido: Estudo da consciência de raça entre os pretos e mestiços de São Paulo. Ela combinou análise sociológica associada a estudos e experiência no campo da psicanálise.
“Foi dentro desse curso que eu tive a felicidade de pela primeira vez encontrar uma noção de conflito psíquico, um superego, um processo de sublimação, em Freud” Virgínia Bicudo
Intregrou o primeiro grupo da sociedade brasileira de psicanálise, Virginia foi a primeira psicanalista mulher e negra do Brasil. Lê-la me inspirou a desenvolver minha tese de mestrado e estudar a partir de seus relatos, os efeitos do silêncio como ferramenta de poder e construção simbólica do povo preto no Brasil.
Em 1945, ela tornou-se professora-assistente da cadeira de higiene mental da USP. No ano de 1955, frequentou o curso no instituto de psicanálise da sociedade Britânica em Londres e especializou-se em psicanálise da criança pela Tavistock Clinic.
Quando retornou ao Brasil, já na década de 60 tornou-se professora e diretora do Instituto de Psicanálise da Sociedade brasileira de São Paulo.
Iniciou em 1976 o curso de formação de analistas de crianças, no instituto de estudos de psicanálise de Brasília, fundado no ano anterior.
Sua trajetória ímpar, uma mulher que protagonizou a criação e o desenvolvimento de instituições e a produção de conhecimento científico no campo das ciências sociais e da psicanálise.
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