Poderíamos destacar 3 tipos de ética para o que compõe o campo psicanálitico:
A ética clínica;
A ética como disciplina no campo academico;
A ética como profissão.

A ética clínica
A psicanálise clínica é uma prática, e seu método consiste em investigar o inconsciente. A premissa se baseia em dar luz a singularidade do indivíduo e evita qualquer forma de influência ou crítica de valores ao paciente, ou seja, suas convicções religiosas, suas ideias políticas, sua filosofia pessoal, e suas orientação sexual.
O que é de interesse num processo psicanalítico é conhecer a verdade, mas a verdade de cada sujeito, seja ela qual for, e não julgá-la.
Desse modo, o objectivo da psicanálise clínica é promover a autonomia do paciente para que ele possa se haver com seu próprio desejo.
A ética como disciplina do campo academico
A teoria da psicanálise desenvolvida por Freud, foi uma ruptura no discurso médico voltado ao tratamento psíquico, para que pudesse surgir uma nova forma de ver e lidar com os problemas até então somente atendidos pela medicina nessa especialidade.
Freud mostrou que existia, além da realidade prática e do pensamento racional, uma realidade psíquica que interferia diretamente na primeira e, assim como ela, deveria também ser considerada.
Para Lacan a psicanálise também é um discurso que serve para interpretar e organizar fenônemos sociais e fenômenos simbólicos.
Dito isto, é importante mencionar que esta verdade interior, que a psicanálise procura, não corresponde necessariamente à verdade material histórica e não deve ser confundida com ela. A verdade é própria e singular e deve ser respeitada como tal.
A ética da psocanálise como profissão
Cada paciente requer uma adaptação individualizada da teoria e da técnica psicanalítica e para atender tais demanadas implica ao psicanalista uma formação continua.
Baseada em estudos, manter-se a par das mudanças sociais e discursivas, discutir e compartilhar casos clínicos regularmente com seus pares, e também ter um amplo conhecimento da cultura e da sociedade.
Nesse ambito, é importante destacar que a confidencialidade é premissa fundamental. Portanto, ao apresentar material clínico a outros analistas, é imperativo que seja feito de tal forma que seja totalmente irreconhecível e não haja nenhuma pista que possa identificar a pessoa em discussão.
A psicanálise também tem responsabilidade social, desde sua fundação em Freud, quando em 1918 no Congresso de Budapeste, juntamente com Sándor Ferenczi e Anton von Freund, onde propuseram a criação de clínicas psicanalíticas públicas para o atendimento da população pobre.
Trata-se de defender a prática e a transmissão da psicanálise, para qualquer pessoa e todos aqueles que de outra forma não apreciariam a psicoterapia.
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