O fenômeno migratório e seus efeitos na saúde mental

Na travessia do luto da terra de origem, aparecem marcas na vida do imigrante, o apagão cultural, a procura de emprego sem conhecer os signos do mercado de trabalho, o desconhecimento da língua ou o pouco manejo com o idioma, leva ao silêncio como sendo um sintoma de solidão. Do silêncio, o que não pode ser constituído como língua, não é pronunciado. Este tema está entrelaçado com a questão dos limites da fala. Naquilo que não se pode dizer, e ainda assim se procura dizer, é precisamente o que impulsiona o movimento paradoxal que é feito a partir do que dominamos o «silêncio».

Entretanto, no silêncio existe também uma potência, desde que ele não seja o encerramento do processo, pode ser um lugar seguro onde se preserva a singularidade. Ou seja, pensar no silencio como uma ferramenta para atravessar o período de adaptação enquanto a sensação de pertencimento se rearranja. Sendo assim, seria possível pensar na importância subjetiva que existe no silencio para garantir a elaboração e escuta da verdade contida em cada sujeito.

A psicanálise tem no silêncio uma importância substancial, na prática psicanalítica por exemplo se utiliza também do silencio como ferramenta de manejo clínico. Quando um paciente busca respostas de seu analista e não obtém, esse ato de silencio faz com que o paciente se depare com o que ecoa dentro de si, ou seja, o ato de não responder a uma demanda por respostas ou sugestões convoca o paciente a escutar a si mesmo e se encontrar com seu próprio desejo.

“Porque é precisamente isso que ele (o analista) faz a favor da palavra do sujeito, mesmo que se limite a acolhê-la […] no silêncio de ouvinte. De fato, este silêncio leva à palavra, como se pode ver na expressão «ficar calado», que, para falar do silêncio do analista, não significa apenas que ele não faz barulho, mas que permanece em silêncio em vez de responder.” (Jacques Lacan, 1966)

Estudos recentes apontam que o “luto e o estresse são as maiores causas de enfermidades atualmente – se não considerarmos a predisposição genética”. Tornar possível o atravessamento desse processo e suas vicissitudes que está em grande medida acompanhado por esses dois fatores mencionados, a psicanálise se dispões a escutar e acolher essas demandas e sofrimentos contidos nesse fenômeno.

 

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2 respuestas a «O fenômeno migratório e seus efeitos na saúde mental»

  1. Avatar de Claudeonor
    Claudeonor

    Excelente abordagem, querida amiga.
    Ando às voltas, aqui, com a questão da escuta silenciosa ativa, que torna necessário o exercício do silêncio ativo como forma de apreensão daquilo que nos habita – a mim, ao outro e ao contexto em que estamos inseridos.
    Trata-se de resgatar um tesouro perdido por uma sociedade que privilegia o falar – ou o tagarelar, como dizia o filósofo Plutarco – e que, justamente por isto, ao ouvir o outro, na verdade, somente ouve a si mesmo. Abraço.

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