Entre Nós — Maternidade em diálogo

Entre Nós — Maternidade em diálogo. Grupo de apoio e escuta para mulheres que vivem a maternidade.

A maternidade é muitas vezes apresentada como uma experiência profundamente individual: cada mulher com suas dúvidas, seus medos, suas escolhas e a responsabilidade de encontrar sua própria maneira de dar conta.

Mas maternar nunca acontece inteiramente sozinha.

A experiência é atravessada pelas relações que nos cercam, pelas referências que recebemos, pelas expectativas sobre o que significa ser uma “boa mãe”, pelas condições concretas de cuidado e pela possibilidade — ou não — de contar com outras pessoas.

Quando a maternidade é vivida longe da família ou da rede de origem, como acontece com muitas mulheres que migram, parte desses vínculos e referências precisa ser reconstruída.

Entre Nós — Maternidade em diálogo é um grupo de apoio e escuta para mulheres que desejam encontrar outras mulheres e construir um espaço no qual a experiência da maternidade possa circular em sua complexidade.


O que um grupo pode produzir que a escuta individual não produz?

Um grupo de apoio não é uma terapia individual realizada coletivamente.

Há algo que se produz justamente entre as participantes.

Às vezes, uma mulher encontra na fala de outra palavras para algo que ainda não conseguia nomear. Uma experiência que parecia exclusivamente sua encontra ressonância em outra história. Em outros momentos, é justamente a diferença entre as experiências que permite retornar à própria história de outra maneira.

Isso não significa supor que todas as mulheres sintam ou vivam a maternidade da mesma forma.

Ao contrário: o grupo pode acolher tanto aquilo que aproxima quanto aquilo que diferencia.

É nessa circulação da palavra, da escuta, das identificações e das diferenças que podem surgir efeitos terapêuticos.

Essa compreensão também atravessa minha pesquisa de doutorado. Nos grupos de apoio que integraram meu campo de pesquisa, os encontros foram concebidos como espaços de elaboração coletiva de afetos, ambivalências e silêncios relacionados à experiência materna.

Ao acompanhar esses dispositivos ao longo do tempo, tornou-se possível observar também como a presença continuada de um espaço de escuta podia abrir, para algumas mulheres, vias de elaboração que não estavam disponíveis no início.

É a partir dessa experiência — clínica, grupal e de pesquisa — que se organiza a proposta do Entre Nós.

Um espaço de elaboração, não um modelo de maternidade

O Entre Nós não é um curso sobre maternidade e não pretende ensinar como ser mãe.

Não há um modelo de maternidade a alcançar.

Os encontros podem começar por uma questão aparentemente cotidiana — o cansaço, a culpa, a divisão dos cuidados, uma dificuldade com os filhos — e chegar a outros lugares: a relação com o próprio corpo, a sexualidade, o desejo, o casal, a relação com a própria mãe, o trabalho, a solidão, a identidade, a migração ou aquilo que cada mulher puder trazer.

Essa possibilidade de deslocamento é importante para mim.

Minha pesquisa sobre o puerpério mostrou que a maternidade pode funcionar como um observatório: ela torna particularmente visíveis exigências, conflitos e formas de silenciamento que nem sempre começam com a maternidade e tampouco terminam nela.

Por isso, o grupo não determina previamente onde uma fala deve chegar.

Como acontecem os encontros?

Os encontros são mediados por mim a partir da minha formação e experiência como psicanalista e do trabalho que venho desenvolvendo há anos com dispositivos grupais.

Não existe um roteiro fechado.

Em alguns encontros, posso propor um tema, uma pergunta ou trazer elementos de pesquisas que possam contribuir para a conversa. Em outros, as próprias participantes podem sugerir questões que gostariam de trabalhar.

Mas o que orienta o percurso é também aquilo que emerge da dinâmica de cada grupo.

Não é necessário chegar com um problema definido.

E participar não significa necessariamente falar o tempo todo. Há momentos em que falar produz algo; em outros, escutar outra mulher pode ser igualmente importante.

Cada grupo constrói, pouco a pouco, sua própria dinâmica.

Para quem é o Entre Nós?

O grupo é destinado a mulheres que vivem a maternidade e desejam compartilhar essa experiência em um espaço de escuta e troca.

Pode fazer sentido tanto para quem está vivendo dificuldades específicas quanto para quem simplesmente sente falta de um espaço no qual seja possível falar da maternidade para além das respostas prontas e dos ideais sobre como uma mãe deveria sentir, agir ou viver.

Também acolhe mulheres que vivem a maternidade longe de sua rede de origem ou em contexto migratório, sem que essa seja uma condição para participar.

Sobre a mediação

Mércia Araújo, PhD
Psicanalista e Doutora em Humanidades pela Universidad Carlos III de Madrid (UC3M).

Atuo na clínica psicanalítica desde 2015 e desenvolvo, ao longo da minha trajetória, trabalhos de escuta individual e grupal, especialmente em torno de questões relacionadas à maternidade, migração, corpo, identidade e diferentes formas de sofrimento psíquico.

Minha pesquisa de doutorado investigou as relações entre silêncio, dano e formas sociais de reconhecimento do sofrimento a partir da escuta de mulheres em grupos de puérperas e de mulheres migrantes.

A experiência com grupos atravessa, portanto, tanto minha prática clínica quanto minha trajetória de pesquisa.

Novo grupo em formação

🌿 Entre Nós — Maternidade em diálogo

Participantes: formação a partir de 5 mulheres
Idioma: português
Formato: presencial em Rapperswil-Jona, Suíça, ou on-line
Dia e horário: definidos de acordo com a disponibilidade das participantes

Neste momento, estou reunindo mulheres interessadas para a formação do novo grupo.

Entre em contato para entrar na lista de interesse e receber as próximas informações.